segunda-feira, 19 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Selecionado para o 7º Festival Internacional do Filme Negro, em Montreal
Ninguém sabe onde fica o Haiti foi selecionado para participar do 7º Festival Internacional do Filme Negro de Montreal, no Canadá. Concorrendo na categoria de longas documentários, o filme fará sua estreia mundial no dia 28 de setembro, às 16h.
Mais notícias podem ser encontradas no site do festival. O evento acontecerá entre os dias 22 de setembro e 2 de outubro.quinta-feira, 9 de junho de 2011
Filme finalizado

Nesta semana finalizamos o filme. Com duração total de 62 minutos, o corte está já com a cor tratada e o som mixado. O próximo passo será a comercialização para divulgar a obra.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Aniversário
Em todo o mundo, milhares de pessoas contribuíram financeiramente para as centenas de ONGs que atuam no país, alcançando cifras de ajuda humanitária da ordem de bilhões de dólares. Mas, segundo estudo de um site estadunidense, disaster accountability, menos de 10% dessa soma bilionária efetivamente chegou ao Haiti. A maioria parou nas próprias estruturas das ONGs muito longe da ilha caribenha. Mas o quadro pode ser bem pior, já que só as ONGs dos EUA fazem prestações de contas dos seus gastos. No Haiti, há centenas delas, de diversas nacionalidades, inclusive brasileiras, que não fazem nenhum tipo de balanço do arrecadado e do efetivamente investido em ajuda humanitária. Claro que há as entidades sérias e dignas, mas entre as centenas, podem até ser a exceção.
Por outro lado, a ajuda dos governos de outros países foi muito mais anunciada do que efetivada. Pelo menos é o que se vê nas ruas: menos de 10% do entulho retirado, a maioria dos sobreviventes continuam em acampamentos de barracas provisórias enquanto uma onda de cólera vinda da Ásia – possivelmente trazida através do batalhão nepalês da ONU, segundo estudos estadounidenses e franceses – vitimou com a morte quase 3,5 mil pessoas.
Agora, eleições devem eleger nos próximos dias um novo presidente. Há sérias dúvidas sobre o que vai acontecer, principalmente por suspeitas em relação ao resultado do primeiro turno, ocorrido no final de novembro, e as violentas manifestações que se seguiram.
Diante desse quadro nebuloso, fica a certeza de que muito pouco há a comemorar deste aniversário. Fica também a incerteza sobre o horizonte para o Haiti. Um alento que posso trazer ao povo haitiano e aos amantes da sétima arte é que Ninguém sabe onde fica o Haiti está no forno, e deverá estar pronto em algumas semanas. Espero que a conclusão e divulgação do filme seja uma modesta contribuição, um sopro de esperança para o Haiti e para as pessoas do mundo inteiro que torcem para um futuro melhor.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Passagens confirmadas
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Apoie o filme
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
O país mais pobre das Américas

Mas a afirmação, sem dúvida pejorativa, só revela parte da verdade. O Haiti é também um dos países mais ricos do continente americano. Em recursos humanos e tradições culturais. Isso, só quem teve a oportunidade de ter algum tipo de contato com a ilha com um olhar que não o de pena é capaz de perceber. Alguns haitianos com quem conversei de alguma forma já tinham me alertado desse fato, mas só consegui compreender isso em toda sua essência lendo a obra de David Nicholls, historiador britânico especialista em Haiti.
Digo tudo isso sob risco de ser atacado por todos os lados: da esquerda ou da direita. Da esquerda que acha que não é possível lutar por algo novo que não seja exagerando e adjetivando os malefícios do capital. Da direita que se usa do sentimento de pena para canalizar para o assistencialismo – gerando um mercado milionário – absolvendo o sistema e aliviando consciências. Mas independente disso, creio que se precisa fazer justiça. Afinal, o que encanta as pessoas que vão ao Haiti? Mais: que outro povo conserva suas tradições culturais, língua, religião, mesmo estando longe de seu país?
Talvez seja essa a grande unidade Brasil-Haiti: todos somos brasileiros – mesmo sem saber o que exatamente significa isso já que moramos num “continente” com inúmeras peculiaridades em cada canto – mesmo estando longe de casa. Eles, são todos haitianos. Apesar da miséria econômica, continuam reivindicando seu país e sua identidade. Mas, diferente do Brasil, o que levou esses caribenhos a abandonar sua terra natal não foi somente a tentativa de melhorar economicamente: durante os 29 anos da ditadura dos Duvalier (François e Jean-Claude, pai e filho) quase meio milhão de pessoas fugiram da ilha, da repressão, da morte, da tortura e da pobreza. Poderiam ter tido orgulho de esconder sua origem, mas tiveram justamente o inverso: a grandeza de preservar sua cultura e acreditar que todas as mazelas – ou barbárie como preferem alguns – podem ser superadas e resolvidas, desde que não se esqueça de quem são.
Não conhecemos – porque raramente chega até nós -, mas a produção literária, artística, musical e cinematográfica haitiana é muito grande, produzida na ilha ou fora dela. Para quem se interessa, vai uma dica no caso do cinema: www.belfim.com
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Avatar 2
Ainda sem data para iniciar sua produção, discute-se nos bastidores de Hollywood a continuidade do filme Avatar, de James Cameron. Não se sabe muito, mas as poucas informações que surgem é que o filme será ainda mais fascinante que o primeiro: maior aperfeiçoamento técnico e uma beleza ainda mais tocante. Mas, diferente do primeiro, em que pudemos conhecer a vida simples porém repleta de harmonia, amor e solidariedade dos índios Na'vi com a natureza de Pandora e sua vitória sobre os invasores, a continuação terá um final mais trágico: os humanos - representados por uma grande compania norte-americana e seus mercenários - voltarão ao planeta em busca do mineral Unobtanium muito mais armados e dispostos a destruir de forma definitiva os nativos e sua ecologia. Será que conseguirão?
Certamente isso tudo não é verdadeiro. Que eu saiba, ainda não se discute em lugar nenhum a continuidade de Avatar. Mas se Pandora fosse um planeta real, certamente seria isto que ocorreria: os americanos voltariam para defender seus interesses econômicos, mesmo que isso significasse a perda de milhares de vidas e a destruição da natureza. A ganância humana, com o poder de suas armas, não encontra limites para a exploração. Na época da saga, do que pudemos compreender, a Terra já está desolada. Seria natural pensar que a invasão, mais devastadora e cruel, se faria novamente. Afinal, para que servem as matas senão para explorá-las?
Não aconteceu assim na película de Cameron, um filme sem dúvida anti-imperialista, onde, por incrível que possa parecer, o vilão é o norte-americano, e o herói, um ex-fuzileiro que descobre a aventura e o amor em terras estrangeiras e acaba “traindo” sua pátria, mas não sua consciência. Entender a existência desse filme só é possível se compreendemos que algo passa no senso comum estado-unidense. Em muito, o atoleiro no Iraque e também no Afeganistão contribuíram para isso. Assim como também a crise econômica e a eleição do primeiro negro para presidente dos EUA - mesmo que a esperança esteja se esvaindo.
O filme nos faz torcer pela vitória dos indígenas e de seu líder, Jake Sully (Sam Worthington) e leva a platéia ao êxtase no final. Vivemos o drama daquele povo. Poderia ser qualquer um sob o jugo imperialista, mas também poderia ser uma releitura da conquista da América, ou a História que o espectador eleger. Mas o certo é que a beleza estética e da mensagem nos faz pensar sobre o mundo atual e, certamente, é um forte grito de liberdade, de mostrar que vale a pena lutar, mesmo quando a batalha parece perdida. Mesmo que sejam flechas contra tanques e aviões.
O que isto tem haver com o Haiti? Talvez tudo, talvez nada. Cada um pode fazer a leitura que quiser. Mas certamente tem com o mundo do cinema. Onde, felizmente, podemos ter um final feliz. Oxalá Pandora siga existindo tal como é, senão no mundo real, pelo menos em nossas fantasias.

